Associação Plano i na subcomissão para a Igualdade e Não Discriminação

No passado dia 9 de janeiro de 2018, a Associação Plano i foi ouvida, conjuntamente com outras organizações, na subcomissão para a Igualdade e Não Discriminação sobre a proposta de lei do Governo que “estabelece o direito à autodeterminação da identidade de género e a expressão de género e o direito à proteção das características sexuais de cada pessoa”.

Notícia do JN.

Notícia do Sapo24.

Um não uníssono às cirurgias em crianças intersexo

Notícias do Centro Gis no Jornal Público de 9 de janeiro de 2018.

Ana Teles, do Centro GIS – Centro de Respostas às Populações LGBT, também alertou para esta situação, considerando “ser imperativo” que estas intervenções apenas aconteçam caso “haja uma necessidade médica reconhecida”. “Não podem ser permitidas apenas porque tem que se escolher se é rapaz ou rapariga. Não pode haver essa urgência”, defendeu Ana Teles. Acha que é preciso deixar que a criança se desenvolva e se identifique com “o género que vai interiormente decidir”. “Estar a decidir à nascença ou numa tenra idade algo que mais tarde poderá vir a ser contraditório ao sentimento e identidade da pessoa parece-nos brutal”, defendeu.

Reportagem do Seminário Final do UNigualdade – 11.12.2017

UNIgualdade – Seminário Final

UNIgualdade – Seminário FinalEntrevista com Ana Sofia Neves (ISMAI), Ariana Correia (Plano I), Manuel Albano (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género)

Publicado por Instituto Universitário da Maia – ISMAI em Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

Vencedora do Concurso Pararpel@s2

A vencedora do Concurso Pararpel@s2 é Mariana Codeço, aluno do 3.º ano da Licenciatura em Criminologia do ISMAI. A autora do texto “Hoje amo e sei o que é ser amada” ganhou uma máquina fotográfica Fujifilm instax mini 9.

Hoje amo e sei o que é ser amada

Quando conhecemos uma pessoa pela primeira vez, por vezes, não a conhecemos realmente. As primeiras conversas, o primeiro encontro, as primeiras piadas e elogios podem ser, de facto, genuínos, mas também podem ser fruto de uma personalidade construída para satisfazer as exigências dos diferentes momentos e situações.

Quando somos jovens e conhecemos alguém por quem desenvolvemos um sentimento de maior afeto, que nos deixa de coração aberto, estas “máscaras” são bonitas, simpáticas e atraentes. Surgem então comportamentos rebeldes, espontâneos, loucos e excitantes, uma cegueira tal que fazemos tudo um pelo outro. Amor.

Aparecia nos teus jogos de andebol de surpresa, faltávamos às aulas para namorar às escondidas, falávamos durante horas e criávamos um futuro que não imaginávamos um sem o outro. E assim foi durante meses.

Mas as coisas começaram a mudar. Pequenos comportamentos surgiram, timidamente, ganhando ímpeto e acentuando-se ao longo do tempo. Controlavas as minhas mensagens; proibias-me de usar roupas mais reveladoras; obrigavas-me a dar-te as passwords das minhas contas de redes sociais. Por sentires ciúmes, deixei de falar com os meus amigos e abandonei os meus hobbies. Controlavas os meus hábitos e horários.

Tinha vergonha de contar aos meus pais, o meu único contacto eras tu.

Chegaste a puxar-me os cabelos e a apertar-me o braço, mas não era isso que doía mais. O maior sofrimento que me provocavas era psicológico e muitas marcas, consequentes deste sofrimento, persistiram durante anos. Não esqueço a forma tão fria como me dizias que tinha as pernas demasiadamente grossas, que não eram bonitas. Como eu chorava. Ao veres-me chorar, acusavas-me de ser doente.

Mas eu só conseguia ver o melhor de ti, facilmente esquecia tudo. Não sabia que o problema não era meu, não sabia que isto era violência, não sabia que não era amor. Eu não te odiava, eu odiava-me. Sentia-me tão gorda e feia, julgava que era uma sorte ainda gostares de mim e estares comigo. “Mais nenhum rapaz vai gostar de alguém como eu!”. Estava tão cega por ti que achava que isto era amor. A tua forma de mostrar carinho e atenção. Achava que, de uma certa maneira, só querias o melhor para mim. Estava tão errada!

No início não me apercebi, mas, aos poucos tornou-se evidente. Não era isto que eu queria para mim. Não podia ser este o meu destino. Parei de imaginar aquele futuro que, em tempos nostálgicos, construímos em conjunto. Estava completamente desgastada psicológica e emocionalmente, mas consegui dizer basta! Ganhei forças para largar as correntes que me sufocaram e prenderam durante dois longos anos. Não foi fácil nem à primeira, foi precisa coragem. Mas acabou.

Disseste que ias mudar e imploraste para eu ficar, mas já não acreditava em ti. As tuas desculpas não eram as primeiras e não seriam as últimas. Já não me diziam absolutamente nada. Tinha, finalmente, percebido que, a partir daquele momento, só podia olhar em frente e nunca mais para trás. Finalmente voltei a ter confiança, a sonhar e a construir aquele novo futuro, desta vez, para mim.

Hoje sei o que é o amor. Hoje sei o que é violência e não a legitimo.

Amor é saber ouvir, saber aceitar e respeitar as nossas escolhas, os nossos gostos; é saber esperar, desejar e proteger. Isto sim, é conservar o amor, sem controlar o/a companheiro/a

Acredito no amor, o amor é importante, para mim, a mais pura das emoções, e por isso nunca desisti de descobrir o que era sentir o amor. Posso ter encontrado muitos obstáculos durante este percurso, mas soube confrontá-los, ultrapassá-los e, acima de tudo, encontrar o amor. Hoje amo e sei o que é ser amada.

Mariana Codeço

Centro Gis associa-se à Fios e Desafios – Orientação Sexual e Identidade de Género

A Plano i associa-se à Fios e Desafios para a ministrar a ação de Formação em Orientação Sexual e Identidade de Género, inserida no projeto de Formação de Públicos Estratégicos da Fios e Desafios, no âmbito da tipologia 3.15. do POISE/Portugal 2020.

A formação decorrerá de 8 a 24 de janeiro de 2018.