Assinatura de protocolos

Casa Arco-Íris

Matosinhos acolhe primeira casa-abrigo do país para pessoas LGBTI vítimas de violência doméstica.

Depois da abertura do Centro GIS em Matosinhos no ano passado, em instalações cedidas pela Câmara Municipal na Rua de Brito Capelo, e da aquisição de uma Unidade Móvel GIS, a Associação Plano i dá mais um passo na resposta às necessidades da população lésbica, gays, bissexual, travesti, transexual, transgénero e intersexual (LGBTI).
Graças a um protocolo, assinado no dia 11 de Maio, na Câmara Municipal, Matosinhos irá acolher a Casa Arco-Íris, a primeira casa-abrigo do país para pessoas LGBTI vítimas de violência doméstica.
Situada em instalações cedidas pela Matosinhos Habit, a Casa Arco-Íris terá capacidade para acolher simultaneamente sete pessoas, acompanhadas ou não de filhos menores ou maiores dependentes, em virtude de questões de segurança e/ou de iminente risco de revitimização.
Este acolhimento urgente e de curta duração garantirá a satisfação das necessidades básicas, a proteção e segurança no sentido da minimização do risco e da vulnerabilidade social, o apoio psicológico, social e jurídico e a reconstrução de um projeto de vida autónomo e independente.
A Casa Arco-Íris resulta da aprovação de uma candidatura da Associação Plano i ao POISE- Programa Operacional para a Inclusão Social e Emprego.
A assinatura do protocolo contou com a presença da Secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, da Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, da presidente da Assembleia Municipal, Palmira Macedo, do administrador da Matosinhos, Tiago Maia, da presidente da Associação Plano i, Sofia Neves, da vice-presidente da Associação Plano i, Paula Allen, do presidente da junta da união das freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, Pedro Sousa, e do presidente da junta da união das freguesias de S. Mamede de Infesta e Senhora da Hora, Leonardo Fernandes, entre outras individualidades.
Rosa Monteiro recordou o acontecimento que esteve na origem do primeiro projeto da Associação Plano i- o Centro Gis, criado em homenagem à transexual Gisberta, assassinada a 22 de fevereiro de 2006, no Porto: “A Gisberta representa um fim trágico e doloroso, mas também um símbolo de coragem em assumir quem nós somos, de lutar para viver em liberdade e em igualdade”. A Secretária de Estado frisou a importância de criar “respostas e soluções inovadoras e eficazes, ao nível do apoio à vítima, mas também ao nível da prevenção”. “Ainda há um profundo desconhecimento e ignorância por detrás da discriminação e do preconceito”, disse.
Também Luísa Salgueiro afirmou que, “enquanto houve discriminação, não descansaremos”. “Esta casa será um exemplo para todo o país. Temos muito orgulho de sermos, mais uma vez, pioneiros em matéria de inclusão”, admitiu a Presidente da Autarquia.
O Centro Gis tem atualmente 199 utentes em acompanhamento. Só em 2017 foram acompanhadas 123 pessoas, foram realizados 1 036 atendimentos e acompanhados 20 casos de violência doméstica.

GIS – Gabinete itinerante de Saúde

A Associação Plano i tem agora à disposição das populações LGBTI das zonas norte e centro do país o Gabinete de Saúde Itinerante, financiado pela EDP Solidária e pela Câmara Municipal de Matosinhos. A unidade móvel que presta serviços especializados e gratuitos é uma extensão do trabalho desenvolvido pelo Centro Gis e conta também com o apoio da Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e a Junta de Freguesia de Matosinhos.

Para qualquer assunto relacionado com o Gabinete de Saúde Itinerante ou com o Centro Gis devem usar-se os seguintes contactos:

Endereço: Edifício da Antiga Câmara Municipal, Rua de Brito Capelo,
n.º 223, loja 40
4450-067 Matosinhos
Telefone: 966 090 117
Email: gis@associacaoplanoi.org

Resultados da 1.ª fase do Estudo Nacional sobre a Violência no Namoro

A Associação Plano i publica, a propósito do Dia Internacional das Mulheres, os resultados da 1.ª fase do Estudo Nacional sobre a Violência no Namoro: Crenças e Práticas. O mesmo pode ser lido aqui.

Principais conclusões:

  • 56.5% das/os participantes já foram sujeitas/os a pelo menos um ato de violência no namoro. 56.2% das mulheres e 57.3% dos homens figuram como vítimas.
  • 36.6% das/os participantes já praticaram pelo menos um ato de violência no namoro. 34.4% das mulheres e 43.4% dos homens figuram como agressoras/es.
  • Embora a violência no namoro seja sofrida e praticada por ambos os sexos, os rapazes praticam mais do que as raparigas e estas sofrem mais do que os rapazes.
  • A violência psicológica é a mais prevalente nas relações de namoro.
  • Quem sofreu e quem praticou violência no namoro apresenta crenças sobre as relações sociais de género mais conservadoras do que quem não sofreu e não praticou violência.
  • Os homens apresentam crenças sobre as relações sociais de género mais conservadoras do que as mulheres.

Gisberta: “Ela já morreu, mas continua a marcar”

“Uma mandala colorida recebe-nos depois de aberta a porta do Centro Gis, localizado no antigo edifício da Câmara Municipal de Matosinhos. As cores vivas traçam o retrato de um espaço onde a diversidade é sinónimo de força, coragem e energia positiva. O centro de resposta à comunidade Lésbica, Gay, Bissexual, Transgénero e Intersexo (LGBTI) nasceu em memória de Gisberta, no dia 9 de janeiro de 2017″.

Notícia do JPN.

Vídeo do Seminário Final do UNi+

O Seminário Final do UNi+ teve a cobertura mediática da equipa do CLM do ISMAI, a quem agradecemos todo o trabalho efetuado.

Seminário Final Uni+

SEMINÁRIO FINAL UNI+Realizou-se a 14 de fevereiro, no Instituto Universitário da Maia – ISMAI, o Seminário Final do Programa UNi+ – Prevenção da Violência no Namoro com Contexto Universitário -, promovido pela APi – Associação Plano i e financiado pela Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade.No evento foram apresentados os resultados do Programa UNi+, bem como discutidas questões teóricas e práticas associadas à prevenção da violência no namoro e à intervenção junto das vítimas.Foi lançado o livro Violências no Namoro, o qual reúne contributos de diferentes autoras e autores.O evento contou com a presença da Sra. Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade e da Sra. Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

Publicado por Instituto Universitário da Maia – ISMAI em Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

Uma em cada dez vítimas de violência no namoro sofreu ameaças de morte

“Começou a esperar-me à porta de casa quando chegava do trabalho. Ele dizia que era para fazer uma surpresa, mas hoje sei que era só para me controlar.” No Dia dos Namorados é também altura de falar sobre a realidade menos romântica da violência nestas relações. Um estudo sobre violência no namoro em contexto universitário mostra que mais de metade dos inquiridos foi vítima de violência no namoro e 37% admitem já tê-la praticado. Dos mais de 1800 jovens universitários que responderam, um quinto das raparigas já foi controlada em aspectos que têm dever com a sua imagem física ou com os lugares que frequentam, e 8% já foram obrigadas a ter comportamentos sexuais não desejados.

Notícia do Público.

Vencedora do Concurso Pararpel@s2

A vencedora do Concurso Pararpel@s2 é Mariana Codeço, aluna do 3.º ano da Licenciatura em Criminologia do ISMAI. A autora do texto “Hoje amo e sei o que é ser amada” ganhou uma máquina fotográfica Fujifilm instax mini 9.

Hoje amo e sei o que é ser amada

Quando conhecemos uma pessoa pela primeira vez, por vezes, não a conhecemos realmente. As primeiras conversas, o primeiro encontro, as primeiras piadas e elogios podem ser, de facto, genuínos, mas também podem ser fruto de uma personalidade construída para satisfazer as exigências dos diferentes momentos e situações.

Quando somos jovens e conhecemos alguém por quem desenvolvemos um sentimento de maior afeto, que nos deixa de coração aberto, estas “máscaras” são bonitas, simpáticas e atraentes. Surgem então comportamentos rebeldes, espontâneos, loucos e excitantes, uma cegueira tal que fazemos tudo um pelo outro. Amor.

Aparecia nos teus jogos de andebol de surpresa, faltávamos às aulas para namorar às escondidas, falávamos durante horas e criávamos um futuro que não imaginávamos um sem o outro. E assim foi durante meses.

Mas as coisas começaram a mudar. Pequenos comportamentos surgiram, timidamente, ganhando ímpeto e acentuando-se ao longo do tempo. Controlavas as minhas mensagens; proibias-me de usar roupas mais reveladoras; obrigavas-me a dar-te as passwords das minhas contas de redes sociais. Por sentires ciúmes, deixei de falar com os meus amigos e abandonei os meus hobbies. Controlavas os meus hábitos e horários.

Tinha vergonha de contar aos meus pais, o meu único contacto eras tu.

Chegaste a puxar-me os cabelos e a apertar-me o braço, mas não era isso que doía mais. O maior sofrimento que me provocavas era psicológico e muitas marcas, consequentes deste sofrimento, persistiram durante anos. Não esqueço a forma tão fria como me dizias que tinha as pernas demasiadamente grossas, que não eram bonitas. Como eu chorava. Ao veres-me chorar, acusavas-me de ser doente.

Mas eu só conseguia ver o melhor de ti, facilmente esquecia tudo. Não sabia que o problema não era meu, não sabia que isto era violência, não sabia que não era amor. Eu não te odiava, eu odiava-me. Sentia-me tão gorda e feia, julgava que era uma sorte ainda gostares de mim e estares comigo. “Mais nenhum rapaz vai gostar de alguém como eu!”. Estava tão cega por ti que achava que isto era amor. A tua forma de mostrar carinho e atenção. Achava que, de uma certa maneira, só querias o melhor para mim. Estava tão errada!

No início não me apercebi, mas, aos poucos tornou-se evidente. Não era isto que eu queria para mim. Não podia ser este o meu destino. Parei de imaginar aquele futuro que, em tempos nostálgicos, construímos em conjunto. Estava completamente desgastada psicológica e emocionalmente, mas consegui dizer basta! Ganhei forças para largar as correntes que me sufocaram e prenderam durante dois longos anos. Não foi fácil nem à primeira, foi precisa coragem. Mas acabou.

Disseste que ias mudar e imploraste para eu ficar, mas já não acreditava em ti. As tuas desculpas não eram as primeiras e não seriam as últimas. Já não me diziam absolutamente nada. Tinha, finalmente, percebido que, a partir daquele momento, só podia olhar em frente e nunca mais para trás. Finalmente voltei a ter confiança, a sonhar e a construir aquele novo futuro, desta vez, para mim.

Hoje sei o que é o amor. Hoje sei o que é violência e não a legitimo.

Amor é saber ouvir, saber aceitar e respeitar as nossas escolhas, os nossos gostos; é saber esperar, desejar e proteger. Isto sim, é conservar o amor, sem controlar o/a companheiro/a

Acredito no amor, o amor é importante, para mim, a mais pura das emoções, e por isso nunca desisti de descobrir o que era sentir o amor. Posso ter encontrado muitos obstáculos durante este percurso, mas soube confrontá-los, ultrapassá-los e, acima de tudo, encontrar o amor. Hoje amo e sei o que é ser amada.

Mariana Codeço