O Gis vai à escola

A Plano i foi uma das entidades a assinar, no passado dia 13 de fevereiro,
o Protocolo de Apoio Técnico e Financeiro celebrados entre a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género – CIG e as Organizações não-governamentais LGBTI, ao abrigo de um concurso lançado em 2018.

Notícia.

COMUNICADO – Notícias sobre femicídios

A Associação Plano i vem manifestar a sua preocupação relativamente à forma como os meios de comunicação social portugueses têm vindo a difundir as notícias sobre o assassinato de mulheres em contexto de violência doméstica. 
Vários estudos internacionais (e.g., Vives-Cases et al., 2009) demonstraram já que a desadequada cobertura noticiosa de casos de femicídio está associada a um aumento do número de mortes de mulheres vítimas de violência doméstica nos sete dias após a emissão das notícias, verificando-se um efeito mimético, i.e., de imitação. Esta tendência parece estar relacionada com a proliferação de mensagens assentes na impunidade dos agressores e na falácia do sistema. Pelo contrário, identificou-se uma diminuição do número de crimes nos dias imediatamente a seguir à difusão de notícias/reportagens sobre prevenção/intervenção no âmbito da violência doméstica. 
Documentadas que estão estas relações, a abordagem mediática dos casos de femicídio deve ser feita com especial cautela e rigor, evitando que se alimente junto das vítimas um sentimento de insegurança e de desproteção e, junto dos agressores, por contraste, uma ideia de tolerância e legitimidade.
Em alguns países da Europa, como Espanha, foi criado um código de conduta que visa garantir a adequada cobertura noticiosa de casos de violência de género, medida que está alinhada com a Convenção de Istambul, a qual exorta a comunicação social a definir “(…) diretrizes e regras de autorregulação para prevenir a violência contra as mulheres e reforçar o respeito pela sua dignidade” (art. 17.º).
A Plano i convoca os órgãos de comunicação social a repensarem as suas práticas em relação a esta matéria, acreditando que eles, tanto ou mais que outros agentes de socialização, podem de facto contribuir para a prevenção e o combate à violência contra as mulheres.

Lamentamos profundamente a morte de todas as vítimas de violência doméstica e tudo continuaremos a fazer para que o país não tenha que noticiar uma realidade que a todas/os nos envergonha.

4.02.19

A Direção